<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Joana Freitas: A Estrada que Habitamos]]></title><description><![CDATA[Textos  sobre mobilidade, comportamento e cultura rodoviária -  Para o leitor que tenha interesse em perceber o sistema todo.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/s/o-que-as-normas-dizem</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3Jsu!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fjoanasoaresfreitas.substack.com%2Fimg%2Fsubstack.png</url><title>Joana Freitas: A Estrada que Habitamos</title><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/s/o-que-as-normas-dizem</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Sat, 09 May 2026 23:51:05 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Joana Freitas]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[joanasoaresfreitas@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[joanasoaresfreitas@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Joana Freitas]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Joana Freitas]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[joanasoaresfreitas@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[joanasoaresfreitas@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Joana Freitas]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[De que tempo és tu?]]></title><description><![CDATA[Havia um isqueiro na consola de cada carro. Havia uma crian&#231;a sem cinto no banco de tr&#225;s. Era normal. Era o nosso tempo.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/de-que-tempo-es-tu</link><guid isPermaLink="false">https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/de-que-tempo-es-tu</guid><dc:creator><![CDATA[Joana Freitas]]></dc:creator><pubDate>Tue, 05 May 2026 19:00:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1c23b277-f54d-48cb-9a9e-e5576c993981_750x750.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>&#8220;Eu sou do tempo&#8230;&#8221;<br></strong>&#201; daquelas frases que inevitavelmente todos dizemos.</p><p>Mais novos ou mais velhos, o tempo tem esta teimosia bonita de nos deixar para tr&#225;s - objetos, h&#225;bitos, pequenas normalidades que, na sua &#233;poca, ningu&#233;m questionava.</p><p>Hoje tudo muda &#224; velocidade da luz. Antes&#8230; mudava tamb&#233;m. S&#243; que em sil&#234;ncio. Quase sem darmos por isso.</p><p>No mundo da mobilidade, h&#225; pequenos &#8220;f&#243;sseis&#8221; que vale a pena revisitar. N&#227;o pela nostalgia, mas pelo que nos mostram sobre aquilo que aceit&#225;vamos como normal. Hoje come&#231;o eu, mas aguardo pelos vossos coment&#225;rios e desafios para explorar outros &#8220;eu sou do tempo&#8230;&#8221;</p><p><strong>Quem &#233; tamb&#233;m do tempo dos far&#243;is escamote&#225;veis?</strong></p><p>Os carros piscavam-nos o olho. Literalmente.</p><p>Modelos como o Cord 810 abriram caminho ainda nos anos 30, mas foi entre os anos 60 e 90 que estes far&#243;is se tornaram quase personalidade.</p><p>O mais ic&#243;nico autom&#243;vel com este &#8220;piscar de far&#243;is&#8221; &#233;, sem d&#250;vida, o Lamborghini Miura - ainda que fosse um autom&#243;vel ao alcance de muito poucos.</p><p>Eram bonitos. Eram engenhosos. Eram teatrais.</p><p>Desapareceram quando a seguran&#231;a come&#231;ou, finalmente, a pesar mais do que a est&#233;tica. Porque h&#225; coisas que, quando colidem com um corpo humano, deixam de ser apenas design.</p><p><strong>Tamb&#233;m sou do tempo das antenas el&#233;tricas.</strong></p><p>Aquele pequeno ritual: ligar o r&#225;dio&#8230; zzzzzt&#8230; e l&#225; vinha ela, como se o carro tivesse vontade pr&#243;pria. Vezes havia em que esta automa&#231;&#227;o falhava e l&#225; ia algu&#233;m - acuso-me - levantar a antena &#224; m&#227;o.</p><p>O Cadillac Eldorado Brougham foi um dos primeiros a mostrar esse luxo automatizado.</p><p>Mas eram fr&#225;geis. Ficavam expostas. Eram vandaliz&#225;veis.</p><p>Desapareceram quando percebemos que funcionalidade, robustez e efici&#234;ncia podiam - e deviam - andar juntas.</p><p><strong>E dos vidros traseiros basculantes, quem se lembra?</strong></p><p>Aqueles que abriam s&#243; um pouco. Como quem deixa entrar ar sem fazer barulho.</p><p>Num tempo sem ar condicionado, faziam todo o sentido. Carrinhas como o Ford Country Squire dependiam deles para tornar viagens longas&#8230; respir&#225;veis.</p><p>Aquela pequena janelinha deu-me muitas alegrias em diversas viagens em que colocava a famosa fita de carnaval ali presa e, viajando contra a marcha sem qualquer reten&#231;&#227;o, via quando eram &#8220;pisadas&#8221; pelo ve&#237;culo que se nos seguisse - uma forma curiosa de medir dist&#226;ncia de seguran&#231;a, se assim quiserem considerar, lol.</p><p>Hoje quase desapareceram.</p><p>N&#227;o porque fossem in&#250;teis - mas porque outras solu&#231;&#245;es se tornaram mais seguras, mais estanques, mais controladas.</p><p>Deixei para &#250;ltimo aquele &#8220;detalhe&#8221; que possivelmente todos ainda nos lembramos, mas do qual n&#227;o temos consciente a dimens&#227;o do risco:</p><ul><li><p><strong>os isqueiros na consola central.</strong></p></li></ul><p>Durante d&#233;cadas, tivemos dentro do carro um objeto que aquece a centenas de graus&#8230; ao alcance de qualquer ocupante, num espa&#231;o rodeado de pl&#225;sticos, cabos el&#233;tricos&#8230;</p><p>Era standard.</p><p>Era aceite.</p><p>Era&#8230; normal.</p><p>O isqueiro saiu - mas n&#227;o por causa do fogo. Saiu porque a sociedade foi aprendendo, aos poucos, que o fumo matava. E quando essa consci&#234;ncia chegou, tudo mudou: os caf&#233;s, os restaurantes, os locais de trabalho. O carro n&#227;o foi exce&#231;&#227;o.</p><p>Desapareceu discretamente - mas o buraquinho na consola ainda ficou. Como uma cicatriz que j&#225; ningu&#233;m sabe explicar.</p><p>Se olharmos bem, todos estes exemplos t&#234;m algo em comum:</p><p>Durante anos, a ind&#250;stria autom&#243;vel foi acomodando comportamentos, satisfazendo vontades e est&#233;tica - e s&#243; mais tarde come&#231;ou a filtrar tudo isso pelo verdadeiro crit&#233;rio: o risco.</p><p>E isto d&#225;-me que pensar:<br>Hoje ainda h&#225; muitas coisas que continuamos a aceitar como normais dentro de um carro &#8211; passageiros &#225; solta, cintos mal colocados, cadeiras instaladas &#224; toa e sem orienta&#231;&#227;o profissional, crian&#231;as mal posicionadas - decis&#245;es tomadas por h&#225;bito e n&#227;o por conhecimento. O problema &#233; simples, mas desconfort&#225;vel: o facto de sempre ter sido assim n&#227;o o torna seguro.</p><h4><strong>O progresso, &#224;s vezes, n&#227;o est&#225; em inventar mais - est&#225; em perceber o que j&#225; n&#227;o pode continuar a ser normal.</strong></h4><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Barcelona ensinou-me a senti-las. ]]></title><description><![CDATA[23 euros, zero carros e uma li&#231;&#227;o de mobilidade que vai muito al&#233;m do transporte.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/aprendi-a-ler-cidades-barcelona-ensinou</link><guid isPermaLink="false">https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/aprendi-a-ler-cidades-barcelona-ensinou</guid><dc:creator><![CDATA[Joana Freitas]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Apr 2026 19:30:52 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Viver em Barcelona ensinou-me que a mobilidade n&#227;o &#233; apenas uma quest&#227;o de transporte. &#201; uma quest&#227;o de liberdade real, de tempo dispon&#237;vel, de qualidade de vida e de rela&#231;&#227;o com a cidade e com os outros.</p><p>N&#227;o tenho veleidades de planeamento urban&#237;stico, mas senti-lhe a import&#226;ncia quando realizei a forma&#231;&#227;o da Vision Zero Academy.</p><p>N&#227;o aprendi a desenhar cidades. Aprendi a l&#234;-las. Um passeio estreito deixou de ser um inc&#243;modo e passou a ser uma decis&#227;o de algu&#233;m. Uma ciclovia bem desenhada deixou de ser paisagem e passou a ser pol&#237;tica. E quando se aprende a ler uma cidade, come&#231;a-se a sentir - no corpo, no tempo, no stress, no bolso - o peso real das escolhas estruturais que algu&#233;m fez por n&#243;s. Barcelona tornou-se o s&#237;tio onde essas leituras ganharam corpo. Porque aqui, todos os dias, vivo o impacto.</p><p>Hoje pergunto-me: quando algu&#233;m em algum lugar decide demolir um pr&#233;dio ou construir um viaduto, pensa-se na qualidade de vida das pessoas que vivem no seu entorno? Que usam ou v&#227;o usar esta ou aquela Infraestrutura? O que poder&#225; &#8220;morrer&#8221; com um novo edificado? N&#227;o tenho respostas, tenho muitas perguntas&#8230;</p><p>Com 23&#8364; para usufruir no per&#237;odo de 30 dias posso deslocar-me de metro, autocarro, comboio e camioneta num raio que em j&#225; dois anos ainda n&#227;o consegui ultrapassar. 23 euros que me d&#227;o espa&#231;o para olhar e ver as pessoas e a cidade, ouvir a mescla de idiomas que aqui convivem, descobrir o bul&#237;cio do com&#233;rcio tradicional e deslocar de e para o aeroporto a qualquer hora do dia ou da noite sem necessidade de transporte privado ou t&#225;xi.</p><p>Em 2 anos, recorri a um t&#225;xi por 2 vezes &#8211; n&#227;o tinha necessidade de t&#225;xi, apenas o fiz porque precisei de transportar um volume de cerca de 30kg e em autocarro seria imposs&#237;vel.</p><p>H&#225; detalhes muito interessantes e pequenos impactos, possivelmente impercept&#237;veis a &#8220;olho nu&#8221; ou, dentro de gabinetes a analisar propostas, que eu vejo e sinto diariamente:</p><ul><li><p>&#233; muito importante aqui ter um carrinho de compras &#8211; apesar da proximidade de mercearias de bairro, talhos, peixarias e afins, sair para compras de semana acarreta, mesmo em fam&#237;lias pequenas, transportar pesos que  num carrinho se esbatem &#8211; &#233; uma compra astuta para quem venha para c&#225;;</p></li><li><p>as crian&#231;as passeiam bastante mais, vemos as ruas sempre com crian&#231;as &#8211; ora em babywearing, ora em alcofas e, os mais crescidos em trotinetes ou bicicletas. Assim vivem a cidade, assim aprendem sobre mobilidade respons&#225;vel, sustentabilidade e rela&#231;&#227;o com o mundo &#8211; e isso v&#234;-se na forma como os adolescentes aqui d&#227;o o lugar no autocarro assim que entra algu&#233;m com cabelos brancos, sacos ou beb&#233;s de colo no autocarro. Ah, e vendem-se sempre os carrinhos com capota de chuva, pois claro &#128521;</p></li></ul><p>Nas minhas idas e vindas, que j&#225; s&#227;o algumas, percebo que as horas que passo nos transportes s&#227;o interessantes &#8211; seja na ida, seja na vinda, pelo menos numa das desloca&#231;&#245;es &#8220;obrigo-me&#8221; a agarrar o kobo &#8211; tempo de pausa, relax e mergulho noutras vidas. Aqui, leio autores espanh&#243;is e sempre na l&#237;ngua original, a ver se evoluo no meu portinh&#243;l.</p><p>Quem conduz com crian&#231;as no banco de tr&#225;s numa cidade congestionada sabe que o carro n&#227;o isola - amplifica. O stress do tr&#226;nsito entra no habit&#225;culo e instala-se entre todos os ocupantes. A buzina que nos escapa, o palavr&#227;o entre dentes, o tom r&#237;spido com quem vai ao lado porque perdemos uma sa&#237;da. Os pequenos n&#227;o precisam de perceber as palavras- leem o corpo, a tens&#227;o das m&#227;os no volante, o sil&#234;ncio carregado que se segue. Est&#227;o a absorver, ainda antes de saberem conduzir, uma rela&#231;&#227;o com a estrada feita de pressa, frustra&#231;&#227;o e reatividade. E n&#243;s, sem dar conta, estamos a ensinar.</p><p>Tenho 3 formas de chegar de casa ao trabalho em transporte p&#250;blico &#8211; metro e duas linhas diferentes de autocarro, o que me permite gerir a vida de forma simples. O metro para perto daquele caf&#233; onde pontualmente paro a beber um sumo de laranja natural a um valor justo de 1.75 euros. O H18 para junto da frutaria onde j&#225; sou conhecida e o 33 fica numa avenida larga, junto a uma galeria a c&#233;u aberto &#8211; La isla &#8211; onde &#224;s vezes me apetece ir &#8220;lavar as vistinhas&#8221; e ver as modas &#128521; Cada percurso tem as suas luzes e contornos e, curiosamente, um tipo de utilizador diferente. H&#225; dias em que vou apenas de olhos abertos, ouvindo, observando. A cada percurso procuro sentar-me alternadamente, ora &#224; direita, ora &#224; esquerda, preferencialmente contra o sentido da marcha, pois claro, para ver a absorver partes diferentes deste que ainda &#233; um novo mundo.</p><p>H&#225; ent&#227;o um ganho imediato em sa&#250;de mental que &#233; gigante! Para mim, est&#225; a ser. Menos depend&#234;ncia do carro, menos isolamento, mais autonomia para diferentes idades e perfis. Quando caminhamos mais, andamos de metro, autocarro ou comboio, vemos mais, ouvimos mais, cruzamo-nos mais. A cidade deixa de ser s&#243; trajeto e passa a ser conviv&#234;ncia. E isso &#233; sa&#250;de.</p><p>E depois h&#225; contas. Mesmo quando n&#227;o as fazemos, todos as sentimos: o custo real de ter carro. N&#227;o falo da escalada dos combust&#237;veis - isso &#233; conjuntura. Falo do peso estrutural, o que est&#225; l&#225; sempre, silenciosamente, m&#234;s ap&#243;s m&#234;s: o ve&#237;culo em si, a manuten&#231;&#227;o, os seguros, os impostos, as inspe&#231;&#245;es. E falo do que raramente se contabiliza mas se paga na mesma - o estacionamento, as portagens, a garagem. Tudo isto investido numa propriedade com um dos maiores potenciais de desvaloriza&#231;&#227;o que existe. Quando a cidade nos d&#225; alternativas reais de mobilidade, n&#227;o nos est&#225; s&#243; a poupar dinheiro. Est&#225; a libertar or&#231;amento para viver.</p><p>No caminho para os transportes vejo a cidade carregada de motos, trotinetes e bicis. Cada um com a sua via dedicada. Aqui respeitam-se &#8212; e quando n&#227;o, h&#225; buzin&#245;es.</p><p>Isto &#233; mobilidade sustent&#225;vel: escolhas estruturais que influenciam a seguran&#231;a. Mais transporte p&#250;blico, menos press&#227;o no carro privado, menos correria, mais tempo para pensar, menos risco associado &#224; pressa e ao uso autom&#225;tico do autom&#243;vel.</p><p>Talvez a maior li&#231;&#227;o de Barcelona seja esta: quando a cidade nos facilita a vida, n&#227;o nos est&#225; apenas a transportar. Est&#225; a devolver-nos tempo, presen&#231;a e uma forma mais humana de ser e estar no mundo.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg" width="1456" height="1941" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1941,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:4506083,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/i/195252166?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dbK-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c51aecb-f4b2-4d79-a8cb-461dec7b850c_3024x4032.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p><p>P.S. N&#227;o, o prop&#243;sito n&#227;o &#233; denegrir o ber&#231;o, &#233; beber desta cultura em que mergulhei e procurar dela construir conhecimento &#8211; em primeiro lugar pessoal, estimulando o pensamento cr&#237;tico e a observa&#231;&#227;o &#8211; e, se conseguir, com os meus escritos chegar a algu&#233;m a quem estas reflex&#245;es possam aportar.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Da pista para a estrada: o que a F1 tem para te ensinar (e ninguém te conta)]]></title><description><![CDATA[Est&#225; a pensar trocar de carro? A cor que escolher pode ser a diferen&#231;a entre ser visto - ou n&#227;o. Epis&#243;dio 1 de uma s&#233;rie improv&#225;vel.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/da-pista-para-a-estrada-o-que-a-f1</link><guid isPermaLink="false">https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/da-pista-para-a-estrada-o-que-a-f1</guid><dc:creator><![CDATA[Joana Freitas]]></dc:creator><pubDate>Thu, 16 Apr 2026 19:30:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f2ce31b3-da04-4f34-af2c-139e84b6577c_1500x948.avif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h3>Est&#225; a pensar comprar carro? J&#225; escolheu a cor? Antes de decidir, talvez queira saber o que 855 mil acidentes e uma regra de 1920 t&#234;m para lhe dizer.</h3><p>Olhando para o escudo amarelo da Scuderia, fiquei curiosa acerca da origem do  ic&#243;nico Rosso Corsa. H&#225; que recuar a 1920, quando as cores nas pistas n&#227;o foram decididas por patroc&#237;nios, mas pelas na&#231;&#245;es. It&#225;lia ficou com o vermelho. Fran&#231;a com o azul. Alemanha com o prata. Gr&#227;-Bretanha com o verde.</p><p>Ningu&#233;m perguntou a Enzo Ferrari que cor queria. N&#227;o havia escolha. Assim ditou a regra.</p><p>Podemos afirmar que foi uma imposi&#231;&#227;o burocr&#225;tica que fez nascer o maior mito visual da F&#243;rmula 1 - um vermelho que hoje vale milhares de milh&#245;es em identidade de marca e que nenhum departamento de marketing do mundo teria desenhado melhor.</p><p>Mas e se te dissesse que essa mesma cor, t&#227;o poderosa na pista, pode estar a trabalhar contra ti no tr&#226;nsito do dia-a-dia?</p><h4>Ser&#225; que h&#225; cores mais vis&#237;veis? Mais seguras? Menos propensas a colis&#245;es?</h4><p>N&#227;o &#233; opini&#227;o. &#201; ci&#234;ncia. E come&#231;a com um estudo australiano e quase um milh&#227;o de acidentes.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><h3>855 mil acidentes depois&#8230;</h3><p>Em 2007, a Monash University Accident Research Centre publicou aquele que &#233; considerado o estudo mais abrangente alguma vez feito sobre a rela&#231;&#227;o entre a cor de um ve&#237;culo e o risco de colis&#227;o. Os investigadores analisaram dados reais de sinistros dos quais tenham resultados feridos, reportados &#224; pol&#237;cia em dois estados australianos, ao longo de 17 anos, e encontraram uma rela&#231;&#227;o estatisticamente significativa entre a cor do ve&#237;culo e o risco de acidente</p><h3>O que aprendemos com os dados:</h3><p>Em compara&#231;&#227;o com ve&#237;culos brancos, os carros pretos apresentaram 12% mais risco de colis&#227;o, seguidos pelos cinzentos com 11%, prateados com 10%, e azuis e vermelhos empatados com 7% mais risco.</p><p>Sim, leste bem: <strong>o vermelho - a cor da Ferrari, dos bombeiros e dos sinais de stop - tem 7% mais risco de acidente</strong> do que o branco.</p><h3>Porqu&#234;? A resposta est&#225; nos olhos</h3><p>Aqui entra a teoria da cor, e &#233; fascinante.</p><p>Na percep&#231;&#227;o visual, existem as chamadas <strong>cores avan&#231;antes e cores recuantes</strong>. As cores quentes parecem avan&#231;ar em dire&#231;&#227;o ao observador, enquanto as cores frias parecem recuar. O vermelho, sendo a cor com o maior comprimento de onda vis&#237;vel, &#233; a cor avan&#231;ante por excel&#234;ncia - o vermelho emite o comprimento de onda visual mais longo de todos.</p><p>Ent&#227;o, se o vermelho &#8220;salta&#8221; aos olhos, por que motivo n&#227;o &#233; a cor mais segura na estrada?</p><p>Porque na estrada o problema n&#227;o &#233; s&#243; &#8220;ser visto&#8221;. &#201; <strong>ser distinguido</strong>.</p><p>O vermelho est&#225; por todo o lado na condu&#231;&#227;o - sem&#225;foros, luzes de travagem, sinais de stop, luzes de emerg&#234;ncia. Os condutores podem ter mais dificuldade em distinguir um carro vermelho desse cen&#225;rio visual. O c&#233;rebro, bombardeado com est&#237;mulos vermelhos, dessensibiliza-se. O teu carro vermelho perde-se no ru&#237;do.</p><p>&#201; o mesmo princ&#237;pio que os designers conhecem como <strong>satura&#231;&#227;o visual</strong>: quando uma cor est&#225; presente em excesso no ambiente, deixa de chamar a aten&#231;&#227;o - passa a ser fundo em vez de figura.</p><h3>O contraste &#233; Rei</h3><p>O que o estudo da Monash demonstrou acima de tudo &#233; que a seguran&#231;a de uma cor depende do <strong>contraste</strong> com o ambiente envolvente.</p><p>Os carros brancos s&#227;o cerca de 12% menos propensos a acidentes do que os pretos, independentemente da hora do dia. Creme, amarelo e bege ficam logo atr&#225;s.</p><p>Um estudo de 2017 concluiu que os t&#225;xis amarelos s&#227;o mais seguros do que ve&#237;culos de qualquer outra cor, incluindo brancos. N&#227;o &#233; por acaso que os t&#225;xis de Nova Iorque e os autocarros escolares nos EUA s&#227;o amarelos - &#233; visibilidade pura.</p><p>No extremo oposto, carros pretos podem ter at&#233; 47% mais probabilidade de se envolverem num acidente ao amanhecer e ao anoitecer. &#201; quando o asfalto escuro engole o carro escuro. Zero contraste.</p><p>O Dr. Stuart Newstead, investigador principal do estudo da Monash, resumiu-o assim: cores mais escuras e cores com baixo contraste em rela&#231;&#227;o ao ambiente rodovi&#225;rio, incluindo prateado, cinzento, verde, vermelho, azul e preto, tendem a estar associadas a maior risco de colis&#227;o, particularmente durante o dia.</p><h3>A ironia da Ferrari</h3><p>E aqui fecha-se o c&#237;rculo com a F1.</p><p>Na pista, o vermelho funciona porque o contexto &#233; completamente diferente: os carros s&#227;o poucos, as velocidades s&#227;o controladas por sistema, cada ve&#237;culo &#233; seguido por c&#226;maras e sensores, e o asfalto de um circuito &#233; muito diferente de uma estrada urbana.</p><p>Mas na tua rua, no teu tr&#226;nsito, com centenas de est&#237;mulos visuais a competir pela aten&#231;&#227;o do condutor ao lado? O Rosso Corsa perde a magia.</p><p>A Ferrari tornou o vermelho num s&#237;mbolo de poder e velocidade. A ci&#234;ncia diz-nos que na estrada, o verdadeiro poder est&#225; no contraste - e a&#237;, o branco e o amarelo ganham a corrida.</p><h3>E tu?</h3><p>Da pr&#243;xima vez que escolheres a cor do teu carro, lembra-te: n&#227;o &#233; s&#243; est&#233;tica. &#201; visibilidade. &#201; o tempo de rea&#231;&#227;o que d&#225;s ao condutor que vem no sentido contr&#225;rio.</p><p>Preferes o instinto da pista ou a ci&#234;ncia da estrada? Quero &#8220;ouvir-te&#8221;.</p><div><hr></div><p><strong>Fontes:</strong></p><ul><li><p>Newstead, S. &amp; D&#8217;Elia, A. (2007). <em>An Investigation into the Relationship between Vehicle Colour and Crash Risk</em>. Monash University Accident Research Centre, Report #263.</p></li><li><p>Attention, Perception &amp; Psychophysics (2024). Estudo sobre cores avan&#231;antes e recuantes na percep&#231;&#227;o figura-fundo.</p></li><li><p>Dados complementares: Reader&#8217;s Digest, Kelley Blue Book, NRMA Insurance.</p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Desenhar espaços é desenhar vidas. Mas continuamos a fingir que não.]]></title><description><![CDATA[Cresci a ouvir a palavra &#8220;bairro&#8221; como quem ouve um aviso. No Porto dos anos 80 e 90 bairro n&#227;o era s&#243; geografia &#8211; era tantas vezes senten&#231;a.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/desenhar-espacos-e-desenhar-vidas</link><guid isPermaLink="false">https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/desenhar-espacos-e-desenhar-vidas</guid><dc:creator><![CDATA[Joana Freitas]]></dc:creator><pubDate>Sat, 11 Apr 2026 19:30:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/006bdfde-8c90-4caa-8054-f3851581b030_201x251.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Aleixo. Contumil. Cerco. Nomes que vinham carregados de tudo o que n&#227;o se dizia em voz alta, mas se entendia imediatamente. Constru&#231;&#227;o de cariz social, custo controlado, sin&#243;nimo de inquilinos de rendas baixas e de expectativas demasiadas vezes ainda mais baixas.</p><p>Dizer &#8220;sou do bairro&#8221; n&#227;o era uma origem. Era quase um destino j&#225; escrito.</p><p>Sabem aquela sensa&#231;&#227;o de que o s&#237;tio onde crescemos nos define para sempre?</p><p>&#8220;&#201; do bairro X&#8221; era sin&#243;nimo de &#8220;caminho dif&#237;cil&#8221;.</p><p>Ou se tinha lutado muito para sair &#8211; e, nesse caso, a &#8220;sociedade&#8221; lhe dava uma palmadinha nas costas e usava como bandeira de que viver abaixo dos limiares de dignidade n&#227;o determinava o caminho de ningu&#233;m &#8211; na maioria das vezes, com discursos hip&#243;critas e/ou caridosos &#8211; como se ter condi&#231;&#245;es de vida dignas fosse um privil&#233;gio s&#243; reservado a alguns.</p><p>Ou se tinha sido &#8220;engolido&#8221; pelo tal do destino pr&#233;-determinado - e, nesse caso, a mesma hipocrisia transpirava em express&#245;es como &#8220;j&#225; era de esperar&#8221; ou, &#8220;tamb&#233;m, com os pais que t&#234;m&#8221;.</p><p>H&#225; ainda a considerar as lutas inerentes a cada um dos lugares - sim, sair ou ficar implicava sempre luta.</p><p>Ser-se &#8220;engolido&#8221; pelo bairro era estar numa luta permanente. Fosse a luta de ser e manter o lugar de dominador, fosse a luta pela invisibilidade e sobreviv&#234;ncia do dominado. Esse, igualmente um lugar estranho...onde h&#225; pouco lugar ao sonho&#8230;</p><p>Qualquer dos lugares, em constante tens&#227;o.</p><p>Sair acarretava outras lutas. A luta de manter a hist&#243;ria a alimentar um lugar na sociedade ou a luta de eliminar o passado &#8211; para poder reinventar o futuro.</p><p>A forma como qualquer destas pessoas se referia a ser do bairro X vinha em si carregada de s&#237;mbolos que ainda hoje leio. Determinismo puro, sem apelo nem escusa.</p><p>A zona de resid&#234;ncia &#233; um mapa do teu lugar na escala social.</p><p>Depois, recordo sempre uma hist&#243;ria divertida de uma boleia dada pela minha m&#227;e a algu&#233;m que vivendo numa zona de Matosinhos mega afastada do mar se auto dizia da &#8220;foz alta&#8221; &#8211; querendo mapear-se nessa escada num lugar socialmente elevado. A Foz, n&#227;o o bairro da Foz, notem, era e &#233; uma zona de resid&#234;ncia de pessoas de elevados recursos financeiros, vista mar, sons e cheiros a condizer.</p><p>Quando conheci o Ricardo, ele referia-se vezes ami&#250;de, &#224; minha zona de resid&#234;ncia como o bairro de Paranhos - soou-me estranho. Passamos algumas horas a conversar sobre o significado da palavra bairro, como era utilizado em cada uma das nossas cidades &#8211; Porto e Lisboa, e entendi que na capital <strong>bairro n&#227;o mordia tanto</strong>.</p><p>Bairros tinham mistura. Tinham contradi&#231;&#227;o. Havia bairros mais pobres, outros mais ricos, alguns ditos &#8220;bons&#8221;, outros rotulados &#8220;menos bons&#8221; - mas todos tinham identidade pr&#243;pria, com uma esp&#233;cie de espinha dorsal invis&#237;vel feita de rotinas, caras conhecidas e hist&#243;rias partilhadas.</p><p>O bairro deixava de ser uma marca social fixa e passava a ser uma rede de rela&#231;&#245;es.</p><p>Para mim, que carregava o peso portuense das constru&#231;&#245;es sociais e ciclos viciosos, foi um <strong>caminho de evolu&#231;&#227;o</strong>. Comecei a ver bairro como <strong>tecido diversificado</strong>, j&#225; n&#227;o como pris&#227;o.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><h3><strong>Barcelona: o abra&#231;o que mudou tudo</strong></h3><p>E quando aterrei em Barcelona? Bairro ganhou corpo, calor, <strong>malha pulsante</strong>. Gr&#224;cia bo&#233;mia e cosmopolita, Raval cru e criativo, Born elegante, Les Corts familiar, Eixample geom&#233;trico &#8211; cada um um abra&#231;o diferente, mas todos <strong>conectados</strong>. Aqui, bairro n&#227;o te esmaga; <strong>abra&#231;a-te</strong>.</p><p>Imagine: sair de casa e ter a padaria onde o padeiro nos chama pelo nome (h&#225; anos), o talho onde sabemos a hist&#243;ria da fam&#237;lia, a mercearia com pre&#231;os que cabem no sal&#225;rio, a herban&#225;ria onde o Sr. &#193;lvaro pergunta como v&#227;o as dores nas costas. Nada de hipermercados que nos arrancam da rua. N&#227;o somos empurrados para as grandes superf&#237;cies, com hor&#225;rios malucos que retiram tempo de qualidade &#224;s fam&#237;lias. Chegamos a casa com produtos embrulhados em papel pardo e atados com cordel.</p><p>Sinto que se pode viver a vida a uma escala muito mais humana.</p><p>N&#227;o tenho 20 anos no bairro e a simp&#225;tica senhora da <em>ferreteria</em> que conta j&#225; 96 anos de exist&#234;ncia deixou-me &#224; vontade para lhe pedir refer&#234;ncias &#8211; j&#225; precisei de canalizador! A dona da loja de miudezas na rua defronte j&#225; n&#227;o estranha quando eu ou a minha filha l&#225; vamos deixar alguns frescos para que n&#227;o se desperdicem, quando porventura precisamos viajar e o frigor&#237;fico reclama que ainda tem verduras.</p><p>Sinto uma <strong>mobilidade que liberta</strong>: a cidade deixa-me viver a p&#233;.</p><p>H&#225; escolas, ateliers variados, propostas culturais e art&#237;sticas de &#226;mbitos bem diversificados. Assisto a pausas laborais para &#8220;fika&#8221; nos bancos do jardim &#8211; aquilo que os n&#243;rdicos procuram promover no interior de caf&#233;s climatizados.</p><p>De repente, vivo um bairro que deixou de estar preso ao determinismo, ao futuro j&#225; tra&#231;ado.<br>Vivo um bairro que acontece no presente.</p><p>&#201; perceber que o espa&#231;o tamb&#233;m educa o ritmo.</p><p>E talvez o mais importante: &#233; sentir que h&#225; lugar para as rela&#231;&#245;es acontecerem.<br>Entre vizinhos. Entre fam&#237;lias. Entre vidas que se cruzam mais do que uma vez.</p><p>O bairro deixa de ser cen&#225;rio e passa a ser estrutura.</p><p>Bairro passou de <strong>castrador</strong> para <strong>potenciador</strong>: entreajuda quotidiana, com&#233;rcio que sustenta fam&#237;lias, la&#231;os que criam casa alargada.</p><p><strong>Nesta vida de n&#243;mada, senti na palavra bairro um fio que me impulsionou a refletir a diferen&#231;a da caixa enclausurante do bairro dos anos 80/90 no Porto ao abra&#231;o que senti em Barcelona.</strong></p><p>N&#227;o fosse eu das ci&#234;ncias sociais e poderia tamb&#233;m eu ter-me fechado na caixa, l&#225;, na cren&#231;a limitadora do determinismo. Cada cidade &#233; um ponto no meu caminho e, por isso, uma aprendizagem.</p><p>No teu bairro, que abra&#231;o est&#225;s a tecer?</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/desenhar-espacos-e-desenhar-vidas?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/desenhar-espacos-e-desenhar-vidas?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Partilhar</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[6 mudanças nos automóveis para as quais ainda não estou preparada]]></title><description><![CDATA[Estamos a mover-nos de forma diferente. E os autom&#243;veis - esses objectos que durante d&#233;cadas foram quase uma extens&#227;o de n&#243;s - est&#227;o a mudar mais depressa do que a nossa rela&#231;&#227;o com eles.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/6-mudancas-nos-automoveis-para-as</link><guid isPermaLink="false">https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/6-mudancas-nos-automoveis-para-as</guid><dc:creator><![CDATA[Joana Freitas]]></dc:creator><pubDate>Thu, 09 Apr 2026 19:31:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/999e5e3c-c139-4148-b07b-ae28dd164207_808x565.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>J&#225; aqui falei da obesidade autom&#243;vel e dos riscos que os ve&#237;culos mais pesados e largos representam para quem circula fora deles - pe&#245;es, ciclistas, utilizadores de trotinetes. Mas h&#225; outro tipo de mudan&#231;a a acontecer, mais silenciosa, mais interior. Dentro do pr&#243;prio ve&#237;culo, elementos que sempre nos pareceram permanentes, quase anat&#243;micos, est&#227;o a desaparecer. Um a um.</p><div><hr></div><h3><strong>1. A caixa de velocidades</strong></h3><p>Se h&#225; vinte anos uma caixa autom&#225;tica era um luxo, hoje &#233; a norma. A transmiss&#227;o manual - esse ritual de coordena&#231;&#227;o entre p&#233;, m&#227;o e ouvido que tantos de n&#243;s aprendemos como rito de passagem - est&#225; a caminho de ser apenas mem&#243;ria. S&#243; no Reino Unido, os ve&#237;culos com transmiss&#227;o manual j&#225; representam menos de 57% dos autom&#243;veis em circula&#231;&#227;o. A este ritmo, estima-se que at&#233; 2037 desapare&#231;am dos modelos novos.</p><p>N&#227;o sei se isso me entristece ou me alivia. Talvez as duas coisas. Afinal, se para os jovens a perda de habilidades seja um problema hoje amplamente debatido, para mim em espec&#237;fico que caminho para a perda de reflexos, o al&#237;vio &#233; a palavra que me acode.</p><h3><strong>2. Os ponteiros anal&#243;gicos</strong></h3><p>Aquele ponteiro da gasolina que desafi&#225;vamos na adolesc&#234;ncia - sempre a ver at&#233; onde cheg&#225;vamos antes de parar para abastecer - est&#225; a ser substitu&#237;do por ecr&#227;s multifuncionais. D&#227;o mais informa&#231;&#227;o, certamente. Mas de forma menos imediata, menos visceral. Havia qualquer coisa de muito honesto naquele ponteiro a cair. Uma linguagem simples entre o carro e o condutor.</p><h3><strong>3. O r&#225;dio</strong></h3><p>N&#227;o est&#225; a desaparecer - est&#225; a dissolver-se. J&#225; quase n&#227;o existe enquanto objecto singular, com bot&#245;es seus e identidade pr&#243;pria. Hoje &#233; uma fun&#231;&#227;o entre muitas, integrada num sistema que &#233; simultaneamente telem&#243;vel, navegador, assistente. O r&#225;dio tornou-se uma camada. E h&#225; algo de nost&#225;lgico em perceber que a &#250;ltima vez que liguei o r&#225;dio - apenas o r&#225;dio - j&#225; n&#227;o me lembro quando foi.</p><h3><strong>4. A chave</strong></h3><p>Girar uma chave para arrancar um motor &#233;, hoje, um gesto a entrar em vias de extin&#231;&#227;o. As ma&#231;anetas electr&#243;nicas e os bot&#245;es de partida chegaram para ficar. &#201; mais pr&#225;tico, sem d&#250;vida. Mas h&#225; qualquer coisa de muito concreto numa chave - o peso dela no bolso, o som do motor a acordar. Era um gesto com inten&#231;&#227;o.</p><h3><strong>5. O motor a combust&#227;o</strong></h3><p>Este &#233; o t&#243;pico mais s&#233;rio e o mais complexo. N&#227;o importa se gostamos ou n&#227;o - e h&#225; argumentos genu&#237;nos dos dois lados - a transi&#231;&#227;o est&#225; a acontecer, e rapidamente. Em julho de 2025, o l&#237;der do Centro T&#233;cnico da Hyundai Motor Europe disse, sem rodeios: <em>&#8220;caixa de velocidades manual e trav&#227;o de m&#227;o - j&#225; ningu&#233;m quer.&#8221;</em></p><p>A frase ficou-me.</p><h3><strong>6. O trav&#227;o de m&#227;o</strong></h3><p>H&#225; algo de quase filos&#243;fico no trav&#227;o de m&#227;o. Era mec&#226;nico, directo, f&#237;sico - puxavas e o carro ficava. Hoje &#233; um bot&#227;o. Amanh&#227;, talvez nem isso. Pergunto-me se h&#225; vantagem em manter o mec&#226;nico. E a resposta honesta &#233;: provavelmente n&#227;o, em termos funcionais. Mas havia uma satisfa&#231;&#227;o t&#225;ctil naquele gesto que os bot&#245;es ainda n&#227;o conseguiram replicar. N&#227;o fui das que usava o trav&#227;o de m&#227;o para pregar sustos ou levantar p&#243; - mas sei que, at&#233; nos cursos de condu&#231;&#227;o defensiva, ele era ensinado como ferramenta real para evitar colis&#245;es.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Todas estas mudan&#231;as est&#227;o ligadas a algo maior - a transi&#231;&#227;o para uma mobilidade de zero emiss&#245;es, mais eficiente, mais sustent&#225;vel. &#201; uma direc&#231;&#227;o necess&#225;ria. E ainda assim, fico aqui a olhar para estas seis coisas que est&#227;o a desaparecer e percebo que n&#227;o era s&#243; tecnologia. Era tamb&#233;m linguagem. Uma forma de comunicar com a m&#225;quina que era, de algum modo, tamb&#233;m uma forma de comunicar com a estrada.</p><p><em><strong>Serei vintage, portanto.</strong></em></p><p>Mas vintage com consci&#234;ncia - que &#233;, provavelmente, a &#250;nica forma aceit&#225;vel de ser.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Já ouviu falar em auto-obesidade?]]></title><description><![CDATA[A expans&#227;o silenciosa dos ve&#237;culos e a forma como est&#225; a redesenhar o espa&#231;o, a seguran&#231;a e a forma como nos movemos.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/ja-ouviu-falar-em-auto-obesidade</link><guid isPermaLink="false">https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/ja-ouviu-falar-em-auto-obesidade</guid><dc:creator><![CDATA[Joana Freitas]]></dc:creator><pubDate>Thu, 02 Apr 2026 19:30:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d6b510dc-4ef6-4a53-8357-fdc9fc60a29f_450x341.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Auto-obesidade&#8221; (ou <em>car bloat</em>) descreve uma tend&#234;ncia simples e teimosa: <strong>os carros est&#227;o a ficar mais largos, mais altos e mais pesados</strong>, enquanto as ruas, os passeios e os lugares de estacionamento&#8230; continuam os mesmos.</p><p>N&#227;o &#233; apenas uma conversa sobre &#8220;SUVs&#8221; ou &#8220;gostos&#8221;. &#201; sobre <strong>espa&#231;o p&#250;blico</strong>, <strong>seguran&#231;a de utilizadores vulner&#225;veis</strong> (pe&#245;es e ciclistas) e <strong>o tipo de cidade</strong> que estamos a construir - caminh&#225;vel, respir&#225;vel e previs&#237;vel, ou uma cidade onde tudo se adapta ao ve&#237;culo (mesmo quando isso nos custa quer seguran&#231;a quer sa&#250;de).</p><h3><strong>O que &#233; a auto-obesidade (em n&#250;meros)</strong></h3><ul><li><p>Na Europa, a <strong>largura m&#233;dia</strong> dos carros novos atingiu <strong>180,3 cm</strong> no 1.&#186; semestre de 2023 (subindo face a anos anteriores).</p></li><li><p>H&#225; investiga&#231;&#227;o a apontar que os carros novos est&#227;o a ficar <strong>cerca de 1 cm mais largos a cada dois anos</strong>, em m&#233;dia.</p></li><li><p>E um dado com impacto imediato na vida real: <strong>cerca de metade</strong> dos carros novos vendidos j&#225; &#233; <strong>demasiado larga</strong> para o lugar m&#237;nimo de estacionamento em muitas ruas.</p></li></ul><p>A ideia &#233; esta: o carro &#8220;engorda&#8221; dentro de uma cidade que n&#227;o cresce - e algu&#233;m perde espa&#231;o. Normalmente, o pe&#227;o.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><h3><strong>Estacionamento: quando &#8220;caber&#8221; deixa de ser garantido</strong></h3><p>Lugares de estacionamento em rua foram desenhados para carros mais compactos. Quando o carro fica maior, come&#231;a o que me atrevo a denominar &#8220;trespassing urbano&#8221;:</p><ul><li><p><strong>Invade o passeio</strong>, a ciclovia ou aproxima-se perigosamente da faixa de rodagem.</p></li><li><p>Aumenta conflito &#8220;porta-a-porta&#8221; (e o risco de incidentes com bicicletas/trotinetes).</p></li><li><p>Pior: <strong>estreita o espa&#231;o &#250;til do passeio</strong>, empurrando carrinhos de beb&#233;, cadeiras de rodas e pe&#245;es para zonas menos seguras.</p></li></ul><p>&#201; um efeito domin&#243;: mais conflito &#8594; menos conforto &#8594; menos gente a andar a p&#233; ou de bicicleta &#8594; mais depend&#234;ncia do carro.</p><h3><strong>Seguran&#231;a de pe&#245;es e ciclistas: a geometria importa</strong></h3><p>Aqui n&#227;o &#233; s&#243; &#8220;peso&#8221;. &#201; onde o ve&#237;culo atinge o corpo e o que o condutor consegue ver.</p><h4><strong>1) Frentes mais altas s&#227;o mais letais</strong></h4><p>O relat&#243;rio da Transport &amp; Environment sintetiza dados de colis&#245;es e aponta que <strong>+10 cm de altura do capot</strong> pode estar associado a <strong>+27%</strong> de risco de morte para pe&#245;es, ciclistas e outros utilizadores vulner&#225;veis. Faz sentido: o embate tende a passar de pernas para <strong>tronco/cabe&#231;a</strong> - e a&#237; a hist&#243;ria &#233; outra.</p><h4><strong>2) &#8220;A crian&#231;a estava ali e eu n&#227;o a vi&#8221;</strong></h4><p>O mesmo relat&#243;rio inclui testes de visibilidade direta: em determinados ve&#237;culos de frente alta, um condutor de estatura m&#233;dia <strong>pode n&#227;o conseguir ver crian&#231;as</strong> diretamente &#224; sua frente - com exemplos extremos em que crian&#231;as at&#233; aos <strong>9 anos</strong> podem ficar fora do campo de vis&#227;o em certos modelos. <br>(Se isto n&#227;o nos d&#225; um arrepio &#8220;urban&#237;stico&#8221;, nada d&#225;.)</p><h4><strong>3) Zonas cegas e atropelamentos em viragens</strong></h4><p>E h&#225; evid&#234;ncia recente do IIHS: ve&#237;culos com <strong>zonas cegas maiores do lado do condutor</strong> t&#234;m um risco significativamente maior de atropelar pe&#245;es em <strong>viragens &#224; esquerda</strong> - com aumentos na ordem dos <strong>70%</strong> quando comparados com ve&#237;culos com zonas cegas pequenas.</p><p>Em resumo: quando o carro cresce em altura e volume, cresce tamb&#233;m a probabilidade de algu&#233;m &#8220;desaparecer&#8221; onde mais precisa ser vista.</p><h3><strong>Ambiente e mobilidade sustent&#225;vel: &#8220;zero emiss&#245;es&#8221; n&#227;o &#233; &#8220;zero impacto&#8221;</strong></h3><p>Mesmo quando eletrificamos a frota, ve&#237;culos maiores continuam a ter custos:</p><ul><li><p><strong>Mais massa</strong> costuma significar mais energia para mover (e, por consequ&#234;ncia, mais press&#227;o sobre materiais como os pneus, baterias e tamb&#233;m infraestrutura).</p></li><li><p>E h&#225; um tema que est&#225; a ganhar peso (sem trocadilho): <strong>polui&#231;&#227;o n&#227;o-exaustiva</strong> - part&#237;culas de trav&#245;es, pneus e abras&#227;o da estrada. A Ag&#234;ncia Europeia do Ambiente assinala que a fatia n&#227;o-exaustiva destas part&#237;culas tem vindo a crescer em import&#226;ncia.</p></li><li><p>A OCDE descreve a rela&#231;&#227;o entre emiss&#245;es n&#227;o-exaustivas e fatores como <strong>peso do ve&#237;culo</strong> (entre outros).</p></li></ul><p>Ou seja: um carro maior pode &#8220;resolver&#8221; o tubo de escape&#8230; mas n&#227;o resolve a l&#243;gica do espa&#231;o e do atrito.</p><h3><strong>Respostas em discuss&#227;o: quando a cidade come&#231;a a p&#244;r limites</strong></h3><p>Algumas cidades j&#225; est&#227;o a agir de forma expl&#237;cita. O caso mais citado &#233; Paris: passou a <strong>penalizar o estacionamento</strong> de ve&#237;culos mais pesados (com limiares de peso diferentes para el&#233;tricos), subindo significativamente as tarifas para n&#227;o residentes.</p><p>E isto &#233; importante por uma raz&#227;o: mostra que o debate saiu do &#8220;gosto pessoal&#8221; e entrou no terreno que interessa - <strong>gest&#227;o de risco e justi&#231;a do espa&#231;o p&#250;blico</strong>.</p><h3><strong>Por isso:</strong></h3><p>Auto-obesidade n&#227;o &#233; um detalhe autom&#243;vel: &#233; uma mudan&#231;a silenciosa na forma como as cidades funcionam.<br>E aqui h&#225; uma escolha eminentemente cultural: continuamos a adaptar o espa&#231;o p&#250;blico ao carro - ou voltamos a desenhar (e a exigir que se desenhem) ve&#237;culos e ruas que <strong>priorizem visibilidade, proporcionalidade e seguran&#231;a</strong>?</p><p>Porque, no fim, a pergunta n&#227;o &#233; &#8220;qual &#233; o carro mais bonito&#8221;.<br>&#201;: <strong>quem fica com o espa&#231;o - e quem fica com o risco?</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mDZW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5625ce35-0844-45ed-8a34-e0cfa42c6ac3_614x490.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mDZW!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5625ce35-0844-45ed-8a34-e0cfa42c6ac3_614x490.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mDZW!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5625ce35-0844-45ed-8a34-e0cfa42c6ac3_614x490.png 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><div><hr></div><h3><strong>Refer&#234;ncias</strong></h3><p>ETSC &#8212; Wider cars are taking space away from cyclists and pedestrians <a href="https://etsc.eu/wider-cars-are-taking-space-away-from-cyclists-and-pedestrians/">https://etsc.eu/wider-cars-are-taking-space-away-from-cyclists-and-pedestrians/</a></p><p>Transport &amp; Environment &#8212; Cars are getting 1 cm wider every two years<br><a href="https://www.transportenvironment.org/articles/cars-are-getting-1-cm-wider-every-two-years-research">https://www.transportenvironment.org/articles/cars-are-getting-1-cm-wider-every-two-years-research</a></p><p>T&amp;E (PDF) &#8212; Ever-higher: the dangerous rise of bonnet height, and the case to cap it<br><a href="https://www.transportenvironment.org/uploads/files/2025_06_Ever-higher_bonnets_report.pdf">https://www.transportenvironment.org/uploads/files/2025_06_Ever-higher_bonnets_report.pdf</a></p><p>IIHS &#8212; Vehicles with big blind zones spell danger to pedestrians during left turns<br>https://www.iihs.org/news/detail/vehicles-with-big-blind-zones-spell-danger-to-pedestrians-during-left-turns</p><p>Eurocities &#8212; Bigger vehicles cause bigger problems in Brussels<br><a href="https://eurocities.eu/latest/bigger-vehicles-cause-bigger-problems-in-brussels/">https://eurocities.eu/latest/bigger-vehicles-cause-bigger-problems-in-brussels/</a></p><p>Paris (EU Urban Mobility Observatory) &#8212; Paris introduces triple parking fees for SUVs<br><a href="https://urban-mobility-observatory.transport.ec.europa.eu/news-events/news/paris-introduces-triple-parking-fees-suvs-2024-02-12_en">https://urban-mobility-observatory.transport.ec.europa.eu/news-events/news/paris-introduces-triple-parking-fees-suvs-2024-02-12_en</a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Lombas: quando a engenharia ensina o que o bom senso ignora]]></title><description><![CDATA[Da experi&#234;ncia de Chatham &#224;s solu&#231;&#245;es sustent&#225;veis como o Venex - evolu&#231;&#227;o, limites e impacto das medidas de acalmia de tr&#225;fego.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/lombas-quando-a-engenharia-ensina</link><guid isPermaLink="false">https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/lombas-quando-a-engenharia-ensina</guid><dc:creator><![CDATA[Joana Freitas]]></dc:creator><pubDate>Sun, 01 Mar 2026 20:30:29 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7fa80140-d81e-44d0-a008-a5efb4557f29_1024x771.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Quem nunca sentiu o est&#244;mago quase colado ao c&#233;rebro ao ser surpreendido por uma lomba no caminho? N&#227;o sei se o nome deriva da possibilidade de ganharmos uma <em><strong>lomba.lgia</strong></em> ao passar por estas sali&#234;ncias no piso &#8212; que nos elevam corpo e carro numa tentativa for&#231;ada de desacelera&#231;&#227;o &#8212;, mas andar &#224; descoberta da sua origem foi um verdadeiro sobe e desce&#8230; bastante interessante.</p><div><hr></div><h4><strong>Origens curiosas: o caso de Chatham, NJ (1906)</strong></h4><p>Em 1906, a vila de Chatham, no estado de Nova J&#233;rsia (EUA), instalou lombas com cerca de 13 cm de altura para travar os chamados <em>scorchers</em> &#8212; visitantes que circulavam entre os 30 e os 40 mph (miles per hour), quando o limite local era de 10 mph. A proposta foi apresentada pelo vereador Frederick Boyle e atraiu rapidamente a aten&#231;&#227;o dos media. O evento foi at&#233; noticiado pelo <em>The New York Times</em>, tornando-se um marco internacional.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg" width="438" height="584.1556503198294" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1251,&quot;width&quot;:938,&quot;resizeWidth&quot;:438,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dnIb!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ec6a3c5-e9bc-4cff-aae5-43825d39c41a_938x1251.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Esta interven&#231;&#227;o tornou-se o primeiro exemplo amplamente divulgado de uma medida f&#237;sica para acalmar o tr&#225;fego, marcando o in&#237;cio de uma nova forma de pensar a gest&#227;o da velocidade. Sem d&#250;vida que este &#233; um marco que traz a p&#250;blico a import&#226;ncia de se tratar a quest&#227;o da velocidade &#8212; e de como mitigar as suas consequ&#234;ncias.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><h4><strong>Do improviso &#224; regulamenta&#231;&#227;o: a evolu&#231;&#227;o europeia</strong></h4><p>Curiosamente, a primeira lomba moderna referenciada na Europa surgiu de forma quase acidental, na cidade de Delft, na Holanda, no final da rua Schlabbach, em 1997. &#192; medida que se foram reconhecendo os seus benef&#237;cios, a sua aplica&#231;&#227;o espalhou-se de forma org&#226;nica para outras zonas.</p><p>A regulamenta&#231;&#227;o espec&#237;fica relativa a estas e outras medidas de acalmia de tr&#225;fego foi publicada pela primeira vez em setembro de 1976, pelo Minist&#233;rio Holand&#234;s dos Transportes e Obras P&#250;blicas &#8212; sinal de que a ideia de abrandar o passo, mesmo que &#224; for&#231;a, come&#231;ava a fazer o seu caminho.</p><p>Estavam lan&#231;ados os alicerces. Comprovava-se que, ao conseguir uma redu&#231;&#227;o efetiva e significativa da velocidade, se conseguiam n&#237;veis de seguran&#231;a aumentados, quer em zonas residenciais, quer no entorno de espa&#231;os escolares, com uma clara diminui&#231;&#227;o dos casos de les&#227;o envolvendo pe&#245;es.</p><div><hr></div><h4><strong>Portugal: um caminho mais recente, mas crescente</strong></h4><p>Apesar de hoje parecerem omnipresentes, sobretudo em zonas urbanas, importa lembrar que tanto o autom&#243;vel como a pr&#243;pria regulamenta&#231;&#227;o da circula&#231;&#227;o s&#227;o conquistas recentes. Em Portugal, s&#243; ap&#243;s a implanta&#231;&#227;o da Rep&#250;blica, em 1910, se come&#231;a a dar forma a uma estrutura reguladora. Em 1911, surge o primeiro esbo&#231;o do C&#243;digo da Estrada e &#233; criado o &#8220;Autom&#243;vel Club de Portugal&#8221;, a quem cabia, at&#233; 1930, a sinaliza&#231;&#227;o e orienta&#231;&#227;o dos automobilistas.</p><p>As lombas, enquanto medida passiva de modera&#231;&#227;o do tr&#225;fego, visam reduzir as consequ&#234;ncias de colis&#245;es, sobretudo em zonas frequentadas por utentes vulner&#225;veis como pe&#245;es e ciclistas. A sua aplica&#231;&#227;o em Portugal &#233; relativamente recente e segue crit&#233;rios t&#233;cnicos definidos em 2007.</p><p>Segundo o IMT, &#8220;designa-se por Lomba Redutora de Velocidade (LRV) uma sec&#231;&#227;o elevada da faixa de rodagem constru&#237;da em toda a largura desta, com car&#225;cter n&#227;o tempor&#225;rio, dimensionada com o objectivo de causar desconforto crescente nos ocupantes do ve&#237;culo durante o seu atravessamento e com o aumento da velocidade; tal efeito n&#227;o pode, por&#233;m, ser significativo para velocidades de valor igual ou inferior ao recomendado, e, nestes casos, n&#227;o pode provocar qualquer dano nos ve&#237;culos.&#8221;</p><div><hr></div><h4><strong>Nem tudo s&#227;o vantagens: cr&#237;ticas e limita&#231;&#245;es</strong></h4><p>Apesar da sua efic&#225;cia, as lombas nem sempre s&#227;o bem recebidas. Motoristas queixam-se do desconforto, do desgaste acrescido dos ve&#237;culos e at&#233; do ru&#237;do que provocam &#8212; especialmente quando mal sinalizadas ou mal desenhadas. Em certos contextos, como em trajetos percorridos por transportes de emerg&#234;ncia ou autocarros urbanos, estas estruturas podem ser mais um obst&#225;culo do que uma ajuda. A sua instala&#231;&#227;o exige, por isso, uma avalia&#231;&#227;o criteriosa que equilibre benef&#237;cios e impactos colaterais.</p><p>Ainda assim, as evid&#234;ncias acumuladas s&#227;o claras: onde h&#225; lombas (bem implementadas), h&#225; menos velocidade &#8212; e menos sinistros com feridos graves.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/lombas-quando-a-engenharia-ensina?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/lombas-quando-a-engenharia-ensina?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Partilhar</span></a></p><div><hr></div><h4><strong>Outros caminhos para o mesmo destino</strong></h4><p>Com o tempo, as estrat&#233;gias de acalmia de tr&#225;fego foram-se diversificando. Passadeiras elevadas, zonas 30, estreitamentos de faixa ou rotundas compactas tornaram-se alternativas mais suaves &#8212; ou complementares &#8212; &#224;s lombas tradicionais.</p><p>Em Portugal, uma proposta inovadora veio precisamente mostrar que &#233; poss&#237;vel abrandar sem penalizar: o <strong>Venex</strong>, desenvolvido por Francisco Duarte, doutorando da Universidade de Coimbra, &#233; um sistema materializado numa esp&#233;cie de tapete que extrai energia cin&#233;tica dos ve&#237;culos ao passarem sobre ele, reduzindo a velocidade de forma progressiva e sem desconforto. O projeto, que venceu a primeira edi&#231;&#227;o do Pr&#233;mio Inova&#231;&#227;o em Seguran&#231;a Rodovi&#225;ria, em 2016, promovido pelo Autom&#243;vel Club de Portugal (ACP) e pela BP Portugal, &#233; um exemplo de como o foco em solu&#231;&#245;es concretas &#8212; eficazes, sustent&#225;veis e integradas no espa&#231;o urbano &#8212; pode ser o verdadeiro gatilho da mudan&#231;a.</p><p>O Venex foi tamb&#233;m reconhecido internacionalmente, vencendo a competi&#231;&#227;o ClimateLaunchpad 2017, na categoria &#8220;Urban Transitions&#8221;. Desde ent&#227;o, tem sido implementado em v&#225;rias localidades portuguesas, como Matosinhos e Cascais, e tamb&#233;m em pa&#237;ses como Espanha e Fran&#231;a. O sistema tem vindo a demonstrar a sua efic&#225;cia na redu&#231;&#227;o da velocidade dos ve&#237;culos e na promo&#231;&#227;o de maior sustentabilidade energ&#233;tica urbana.</p><p>Em resumo, o Venex continua a expandir-se e a ser utilizado, mostrando como solu&#231;&#245;es inovadoras e sustent&#225;veis podem desempenhar um papel crucial na melhoria da seguran&#231;a rodovi&#225;ria &#8212; e na efici&#234;ncia das cidades.</p><div><hr></div><h4><strong>Mais do que travar: mudar mentalidades</strong></h4><p>As lombas s&#227;o apenas uma pe&#231;a no puzzle. No fundo, o que est&#225; em causa &#233; uma mudan&#231;a de paradigma: deixar de pensar a mobilidade em fun&#231;&#227;o da fluidez autom&#243;vel e come&#231;ar a desenh&#225;-la com base na conviv&#234;ncia e na prote&#231;&#227;o dos mais fr&#225;geis. Se uma simples sali&#234;ncia no piso nos lembra de abrandar, talvez seja um lembrete para repensarmos a pressa com que queremos chegar &#8212; e o que estamos dispostos a p&#244;r em risco pelo caminho.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KDXA!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F474df9ec-7d8e-46a1-a35c-9aee09718aa4_1440x1080.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KDXA!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F474df9ec-7d8e-46a1-a35c-9aee09718aa4_1440x1080.jpeg 424w, 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stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h4>Fontes de Informa&#231;&#227;o</h4><blockquote><p><em><a href="https://www.sinaldetransito.com.br/artigos/lombas_artificiais_no_asfalto.pdf">https://www.sinaldetransito.com.br/artigos/lombas_artificiais_no_asfalto.pdf</a> - 2003</em></p><p><em><a href="http://www.ansr.pt/SegurancaRodoviaria/InformacaoTecnica/Documents/LRV%20atualizado.pdf">http://www.ansr.pt/SegurancaRodoviaria/InformacaoTecnica/Documents/LRV%20atualizado.pdf</a> - 2007</em></p><p><em>file:///C:/Users/JF/Downloads/PhD%20Jo%C3%A3o%20Pedro%20Silva%20-%20Completa.pdf - 2010</em></p><p><em><a href="https://historictownsofamerica.com/oldest-speed-bump?utm_source=chatgpt.com">https://historictownsofamerica.com/oldest-speed-bump?utm_source=chatgpt.com</a> &#8211; 1906 Chatham</em></p><p><em><a href="https://www.uc.pt/fctuc/dec/destaques_historico/premio_fd">https://www.uc.pt/fctuc/dec/destaques_historico/premio_fd</a></em></p><p><em><a href="https://www.acp.pt/o-clube/revista-acp/noticias-do-clube/detalhe/premio-inovacao-em-seguranca-rodoviaria-foi-para-aluno-de-coimbra">https://www.acp.pt/o-clube/revista-acp/noticias-do-clube/detalhe/premio-inovacao-em-seguranca-rodoviaria-foi-para-aluno-de-coimbra</a></em></p></blockquote>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Reduzir a velocidade é urgente. Proteger vidas também.]]></title><description><![CDATA[A entrevista do presidente do IMT refor&#231;a uma mensagem clara: sem medidas concretas nas cidades &#8212; e sem equipas qualificadas no terreno &#8212; n&#227;o vamos travar a sinistralidade.]]></description><link>https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/reduzir-a-velocidade-e-urgente-proteger</link><guid isPermaLink="false">https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/reduzir-a-velocidade-e-urgente-proteger</guid><dc:creator><![CDATA[Joana Freitas]]></dc:creator><pubDate>Tue, 13 May 2025 19:30:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vdxl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa7d20ac1-e21d-48f4-bbf2-57f9d4ca01a8_834x1332.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No passado dia 18 de abril foi publicada, no jornal <em>Expresso</em>, uma <a href="https://expresso.pt/sociedade/2025-04-19-a-reducao-da-velocidade-nas-cidades-e-uma-questao-de-vontade-politica-e-deve-ser-uma-prioridade-d3e7836a">reportagem</a> com o presidente do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).<br>Dessa entrevista, destaco a reiterada necessidade de reduzir a velocidade nas &#225;reas urbanas &#8212; um verdadeiro imperativo se queremos diminuir os dados da sinistralidade rodovi&#225;ria e caminhar em dire&#231;&#227;o aos objetivos da <em>Vision Zero</em>, subscrita por Portugal.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vdxl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa7d20ac1-e21d-48f4-bbf2-57f9d4ca01a8_834x1332.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Sublinho ainda a quest&#227;o dos recursos humanos: a escassez de pessoas qualificadas <strong>n&#227;o pode continuar a colocar vidas humanas em risco</strong>.</p><p>Na &#225;rea em que sou habilitada &#8212; a seguran&#231;a rodovi&#225;ria infantil &#8212; coloco-me desde j&#225; ao dispor para integrar quaisquer equipas consultivas para a tantas vezes esquecida &#225;rea do transporte escolar e coletivo de crian&#231;as, bem como para processos de forma&#231;&#227;o destinados a equipas que, estando na linha da frente, s&#227;o fundamentais na educa&#231;&#227;o e fiscaliza&#231;&#227;o do cumprimento das normas: PSP, GNR, escolas, empresas municipais, entre outras.</p><p>A seguran&#231;a das crian&#231;as no transporte escolar e coletivo merece mais do que inten&#231;&#245;es. Merece a&#231;&#227;o.<br>Se este tema tamb&#233;m te move, partilha &#8212; e junta-te &#224; conversa.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/reduzir-a-velocidade-e-urgente-proteger/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Leave a comment&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://joanasoaresfreitas.substack.com/p/reduzir-a-velocidade-e-urgente-proteger/comments"><span>Leave a comment</span></a></p><p></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>